Hoje acordei bem triste. Veio aquela sensação de perda.
Perdi a minha praia da infância.
Bateu uma angústia misturada com reminicências, areia e espumas.
Ninguém cortou os testículos do meu pai ( ! ) e fui gerada no oceano.
Não nasci no meio das ondas, como a Vênus de Sandro Botticelli -
nua, bela , profana e pagã - a bela Afrodite.
Não fui amparada por uma concha de madrepérolas.
A Vênus/Afrodite de Botticelli é esplendorosa,
um ícone do Renascimento.

Minha geração foi mais prosaica.
Foi na Santa Casa de Santos.
E meu pai brincava que na hora do parto, o médico , por um descuido,
me deixou escorregar da sua mão e bati com a cabeça na quina da mesa.
Daí , a garotinha ficou meio assim meio assado. Boboca prá caraleo.
Míope, tímida e enfezada.

Perdi minha praia de infância, paisagem de barcos e navios no cais.
Natação com golfinhos e botos, sol de quarenta graus, pipoca doce,
maconha da boa, areia pelando o pé, chup-chup,
milho verde cozido, cervejocas geladinhas,
coca-cola no corpinho prá bronzear,
mate gelado com limão, frescobol,
jacaré com a molecada, óculos ray-ban.

Perdi a praia, as ondas e a infância.
Casa da praia, bye-bye.


* Imagem via Star boy ether girl

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| Por Prensada | segunda-feira, 17 de maio de 2010 | 14:03.